segunda-feira, 30 de novembro de 2009

LIVRA-NOS DOS POLITICOS DITOS CRISTÃOS



            Vergonha! Revolta! Indignação, uma mistura destes sentimentos me invadiu enquanto assistia ao vídeo da vergonhosa oração dos políticos sem vergonha, os quais “oravam” para que Deus abençoasse a safadeza política da corrupção. Chamei esse vil momento de atentado violento a oração, noutras palavras foi um “estupro a um ato considerado sagrado”.
            Nas palavras do Mestre eles são sepulcros caiados, “ Ai de vós, [políticos de Brasília] , hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mateus:23:27).Eles se alimentam a semelhança dos urubus. Eu já não os suporto. Não se pode mais votar em político que se diz cristão. Não se pode engodar o povo cristão dizendo que “irmão vota em irmão”, porque até o dia de hoje, eu não vejo mudanças com essa dita “bancada evangélica” seja estadual, municipal ou federal.
            O Brasil cristão, especialmente aconteceu nas igrejas evangélicas,  viram os seus cultos se transformando em  comícios ou “cultos eleitorais”. Os que estavam lá ouviram de muitos políticos, e com certeza dessa turma safada do Distrito Federal que “eles seriam luz do mundo e sal da terra” e  que não seriam iguais aos seus antecessores ou outros políticos. já conhecidos.  Mas o que eles fizeram e ainda fazem é aquilo que o Senhor Jesus criticou aos fariseus religiosos em Mateus 23:30 “E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas”  Eles derramaram o sangue de muitos pobres que estão sem atendimento medico. De crianças que vivem sob o domínio do crack e não estão nas escolas. O nosso povo que vive na probeza morrem nos hospitais públicos,  enquanto estes que “estupram a oração”se assentam para se divertir com o poder. São miseráveis e sem vergonha. Verdaderios urubus que se alimentam com o sofrimento e a dor do povo trabalhador.
            Cristãos Brasileiros, o poder cegou esse povo que usaram a fé cristã, o culto de adoração foi usado para manipular a fé e  adquirir a confiança para alcançar o destaque. Esses lideres políticos e seus comparsas ditos cristãos devem ser julgados, condenados e pagar pelos seus delitos. Mas enquanto isso não chega o Brasil cristão não se pode iludir ainda mais com esses políticos que alem de manipular a fé cristã, violentam  nossos ritos para o mal. Estes ritos  que prezamos e incentivamos a sua prática, como é o caso da oração. . Cadeia neles e não vote neles. Pai Nosso Livrai-nos deles

Pr. José Miguel Aguilera
Pastor Batista - Campo Grande MS
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Os Inimigos da Fé Cristã no Século XXI


            A história da igreja nos mostra que os cristãos vivenciaram a sua fé diante de diversos inimigos no decorrer dos tempos. Estes inimigos forâneos  usavam todo o poder que tinham para subverter a fé cristã tentando diminuir o seu alcance e a força da sua atração com ataques em forma de perseguições em todos os níveis. A história da igreja tem 21 séculos de lutas, muitas delas marcadas com a semente dos mártires – o sangue.
            Como nos séculos anteriores no século XXI as perseguições não diminuíram ao ponto que temos notícias de diversas perseguições em determinadas partes do mundo. No entanto, também podemos identificar outros inimigos contemporâneos da fé cristã que têm invadido a igreja diluindo seu pensamento e prática cristã. As palavras de advertência do apóstolo Paulo se tornam atuais: “E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” Atos:20:30.
Estes homens, nem mesmo percebem que estão sendo conduzidos pelos parâmetros mundanos, uma vez que seus discursos são fruto da pregação neoplatônica atual que dicotomiza o ser humano e que valoriza exclusivamente os “pecados sexuais ou contra o corpo”, sem se preocupar outras expressões e práticas da fé impregnadas pela visão mundana, oferecida pelo sistema atual. Dentre os atuais inimigos da fé cristã podemos citar: a globalização, o lucro, e o pensamento neoliberal. Sem dúvidas, estes três elementos formam uma tríade satânica que muitos não conseguem enxergar.
            Com a globalização o fenômeno da fé cristã foi padronizado. Não há mais a liberdade de questionar os pressupostos atuais e as expressões da fé cristã impostas pelo mercado da privatização da fé. A imposição de modismos, do pensamento linear da fé e de uma expressão cúltica padronizada tem gerado grupos hierárquicos na igreja. As diversidades hierárquicas exercem o controle por meio do padrão imposto das expressões de fé. Isso estupra e castra o que o evangelho tem de mais precioso, a liberdade. Muitos que criticaram o “tradicionalismo” de ontem e foram “marcados” pela defesa da liberdade cristã, e foram perseguidos numa inquisição sem fogueiras, caem hoje no “tradicionalismo do mercado” gerando uma casta cristã acima das críticas e dos questionamentos de suas práticas e de seus pensamentos ditos cristãos.
            Em busca do lucro hoje se vive, fruto da globalização x evangelho,  uma crise de identidade cristã. Não se sabe definir o que é evangelho. Muitos,  citando Filipenses 1:18: “Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”,  acreditam que pode ser apresentado qualquer Cristo. O texto, porém, defende que a motivação de pregar seja qualquer uma,  mas não permite a deturpação da pessoa de  Cristo. Sim, qualquer método é permitido,  mas não qualquer conteúdo. Qualquer estratégia se permite, mas não qualquer Cristo. Mas por causa dos interesses do “lucro religioso” seja ele “almas salvas”, “prosperidade a ser alcançada”, “sucesso eclesial”, “vantagens do poder”, a pessoa e a mensagem do Cristo sofre vilipêndios, violência, que escandaliza até os incrédulos do evangelho.
A história da igreja cristã caminhou sempre em oposição ao pensamento de ganhar o mundo sobre a condição de deturpar a mensagem; quando a igreja deixou de ter essa postura, a fé cristã foi diluída de tal forma que culminou, no século XVI, na necessidade da Reforma para fosse retirado todo paganismo da igreja. “Os grandes homens”, para o pensamento neoliberal, são precisamente aqueles que se mostram mais bem-sucedidos no esmagar e ultrapassar de todos os outros, construindo impérios empresariais a partir, por um lado, da concorrência mais feroz do vale-tudo e, por outro lado, não menos importante, da exploração mais despudorada dos trabalhadores.”  Esta citação cabe perfeitamente na prática atual da igreja.
            Uma das máximas do pensamento neoliberal  pelas quais  o indivíduo é direcionado em sua conduta passa inevitavelmente por um raciocínio do tipo custo/benefício. Basicamente, o indivíduo teria que se comportar sempre de acordo com a equação “quantos mais benefícios tiverem em relação aos prejuízos melhor”. Há diversos ensinamentos neoliberais que foram introduzidos na prática e no pensamento cristão, um deles é a tentativa de extinção do pensamento crítico do sistema. Há uma tentativa de desqualificar a crítica por meio de argumentação “ad hominem”, na qual a argumentação é dirigida à pessoa que critica, buscando sua desqualificação como pessoa. No meio cristão as questões comportamento e identidade são fundamentais para serem aceitos os argumentos. Um cristão jamais poderia usar fontes sociais e filosóficas, pois estas são incompatíveis com o cristianismo, uma vez que  muitos dos pensadores não professam essa fé. Ao se eliminar o pensamento crítico, perdeu-se a beleza do pensamento criativo que Deus outorgou ao ser humano.
            Nesta breve reflexão queremos alertar que a mensagem do verdadeiro evangelho de Jesus é incompatível como o que se ouve, se lê e se prega atualmente em nosso Brasil. A mensagem jesuínica é claramente contra a “padronização da globalização” que conduz ao ser humano a viver a prática de uma fé cristã que não é fruto da sua essência e existência de vida. A idéia do lucro nunca passou próxima da mensagem de Jesus. Quando se pensa em lucro, alguém perde, mas a fé e mensagem evangélica  é servir sem esperar o retorno ou o ganho.
O Jesus dos evangelhos conduzia as multidões em liberdade e as deixava escolher a quem servir. O Mestre usou as estruturas da época para que servissem ao povo que estava em trevas e sem pastor. Foi essa a razão de sua crítica aos fariseus saduceus, herodianos, daquele tempo e é aos atuais inimigos da fé que sua palavra deve continuar a combater em nossos dias.  

Educação Teológica Para o Século XXI

A educação em geral sempre tem convivido com o mote de viver em crise. Críticas de que não há suficiente investimento na educação é algo com que o Brasil tem vivido por décadas. Sempre se viveu numa crise, embora muitos tenham abraçado a idéia de que “crise” é oportunidade e estes têm usado as circunstâncias para que elas trabalhem a favor dos projetos.
É assim que deve ser vista a educação teológica. Em outras palavras, se existe uma crise, ela deve ser enxergada como a oportunidade para o despertar da criatividade. A educação teológica precisa ser compreendida na dialética do mundo eclesial e a sociedade contemporânea e, diante disso, queremos apresentar algumas sugestões para que este diálogo intramundano se inicie.
1. Mesmo após 30 anos envolvido com a educação teológica, percebo ainda a existência de uma dicotomia entre educação religiosa e educação teológica. Tal separação é um fator que divide as forças no mundo pedagógico das igrejas. O pastor é teólogo e quem trabalha no ensino é educador. Entendo que ambos são teólogos e educadores. Talvez para o leitor, a palavra teologia traga erroneamente a concepção de falta de espiritualidade ou destruição da fé. Um grande equívoco. No momento, o espaço não nos permite desenvolver este pensamento, mas essa divisão quebra uma unidade “funcional” para que a igreja alcance a “unidade da fé”. Esta fé teológica precisa ser ensinada e se faz necessária a parceria entre o educador e o teólogo, unindo forças e “repensando a forma de fazer teologia em nosso estado”.
2. O mundo globalizado que vive a contradição do global e do individual, implica em que se use ferramentas de ensino tanto na teologia, como nas escolas, seminários e nas igrejas. Enquanto os líderes e executivos do mundo empresarial, de outras religiões e seitas, usam estratégias de alto nível, técnicas de aprendizado, metodologias de ensino, recursos midiáticos, informatização, etc., pois sabem que treinamento e educação é a base de toda a expansão desejada de qualquer instituição, nossas igrejas e escolas teológicas ainda permanecem no século XIX com um currículo ultrapassado que não responde à pergunta do ser humano na pósmodernidade: para que serve a fé cristã?
3. O mundo contemporâneo é cosmopolita. Vemos nos próprios jornais denominacionais que algumas igrejas do interior do Brasil fecharam suas portas por falta de freqüentadores. Estes se mudaram para as grandes cidades. Chegando às cidades estes não encontram respostas aos seus sonhos interioranos. Assustam-se; há falta de emprego; passam a reunir-se nas periferias. Mmas não há duvidas que caminhamos para ver a formação do “cinturão” em todas as capitais do Brasil, com suas vilas ou condomínios fechados. A cidade se enche de marginalizados do mundo rural e o mundo dos abastados então cria os seus condomínios fechados, alienando-se a esta realidade.
É preciso repensar a pregação, a teologia, o culto, a evangelização, o ensino e a forma de ser igreja neste novo contexto. É necessária uma teologia da cidade ou, clarificando, uma teologia pastoral na e da cidade. Para muitos o inferno já está na cidade, no entanto, a educação teológica precisa ensinar e treinar seus alunos não somente para evitar o inferno escatológico, mas também o “inferno das cidades”.
4. A globalização trouxe a necessidade de conhecer o outro, do diálogo, do relacionamento, da parceria, das tribos, das ONGS, dos movimentos pelos direitos dos diversos grupos sociais. A pósmodernidade trouxe o declínio dos apologetas. A sociedade se une em torno do bem comum. Não há mais tempo para apologias, mas procuram-se teólogos e pastores que saibam liderar e amar. O mundo contemporâneo exige dos ”representantes da teologia” que se envolvam numa rede de pessoas, que busquem o bem comum sem abrir mão dos valores centrais da fé cristã. Não se pode apresentar a verdade sem antes conquistar o coração do outro. O mundo contemporâneo não somente constrói a pergunta racional “isso é verdadeiro?”, mas também deseja saber se isso “serve para o coração”, para o mundo emocional. Não é somente a razão, mas também a emoção. A teologia precisa responder à mente, ao coração e à práxis. A educação teológica deve ser de tal forma ampla que seja capaz de alcançar o ser humano de forma integral: pensar, sentir e agir.
5. É necessário responder a uma pergunta crucial: que tipo de pastores, teólogos ou líderes das comunidades cristãs estão sendo preparados para o mundo eclesial? Enxergamos realmente o século XXI ou ainda estamos presos a um modelo pastoral do século XX trazido na implantação do protestantismo do século XIX, mas que para muitos ainda continua sendo o modelo: um pastor generalista, “mil e uma utilidades”, que tem como prolongamento esposa e filhos que também são “funcionários” da igreja, porém sem receber salário. Um líder com uma visão de todas as atividades eclesiais, que soluciona todos os problemas, pois nele estão centradas todas as informações necessárias e que passou por uma escola teológica que tem em sua ideologia perpetuar tal modelo ministerial. Se essa visão ainda continuar, a formação teológica que temos é para um mundo que já não existe. É uma formação anacrônica.
Concluindo, para o preparo e formação de uma liderança do século XXI é preciso descentralizar, desconstruir e orientar para que resultados sejam alcançados e não ofertar atribuições denominacionais. Que nossos líderes sejam proativos e que mobilizem a igreja de forma que seja culturalmente relevante num mundo dinâmico e, em razão disso, esta seja ágil nas mudanças. Assim, assistiremos a implementação de uma visão ampla do Reino de Deus e não a limitada ação da igreja dentro de quatro paredes, exclusiva de um determinado grupo. Sabe-se que a igreja é um organismo dinâmico como o corpo físico que nasce, cresce se reproduz e morre. Estes ciclos são marcados por mudanças.
Este é o desafio que se apresenta, e acredito que podemos começar esta mudança a partir de nosso estado por isso, precisamos nos perguntar: estamos dispostos a mudar?

Eu chorei...de indignação...

Recebi em minha caixa postal um link dos famosos videos do site YOU TUBE -   - convidando-me a visitá-los. E o fiz. Não devia ter feito isso. Eu chorei de indignação. Não suportei. Me questionei. Visitei outros links no you tube. Me enojei.Senti raiva, indignação. Chorei ainda mais. Então decidi expor brevemente meus sentimentos; não para que sintam pena de mim, mas para dizer que aquilo não é - o que cri e em quem cri não é isso. O que assisti não pode ser chamado de evangelho. Não é a graça do Senhor. Não é graça divina. Se isso é unção de Deus, então eu NUNCA a tive. Não creio que a UNÇÃO de 1a.João 2:20, "Ora, vós tendes a unção da parte do Santo, e todos tendes conhecimento", seja isso que o video apresenta. UNÇÃO e CONHECIMENTO são irmãs gemeas e diria ainda mais, são siamesas. Uma não vive sem a outra.
A história da igreja tem dezenas de personagens que jogaram fora a UNÇÃO e foram dominados pelo conhecimento, haja visto que temos até a "Teologia da Morte de Deus" produzida nas melhores Escolas Europeias e Americanas(USA); mas também temos personagens que se esqueceram do CONHECIMENTO e "endeusaram", manipularam, sofisticaram, "marketizaram" o termo UNÇÃO (diferente da unção indicada por João) e montaram impérios pessoais e econômicos e conduziram muitos a comportamentos doentios: anacoretas, legalistas, ascetas, místicos, fetichistas religiosos, animistas,espiritualistas, dicotômicos, etc. Formaram uma elite religiosa sendo seguida por indivíduos analfabetos do conhecimento da Palavra de Deus. A diferença entre esses dois grupos acima descritos é NENHUMA!
O evangelho da GRAÇA DIVINA, marcado pela sobriedade (domínio próprio) chama o cristão para o equilíbrio. O filósofo grego estava certo: "A virtude está no centro". No mundo contemporâneo é desafiador viver o equilíbrio da DEVOÇÃO e do CONHECIMENTO, viver o equilíbrio da UNÇÃO (apregoada pelo apóstolo João) e das CIÊNCIAS BÍBLICAS. Não há dicotomia entre o saber e o sentir. Ambos devem nos conduzir à prática cristã da fidelidade a Deus e não aos impérios, sejam pessoais ou denominacionais. Da mesma forma que TODOS são CHAMADOS a TESTEMUNHAR e alguns são CHAMADOS a ser evangelistas, assim também, TODOS são CHAMADOS a ESTUDAR e CONHECER a PALAVRA DE DEUS; outros ainda são chamados para ser MESTRES. É isso que diz a Bíblia. Conhecimento e Espiritualidade não são excludentes. Ensino e Devoção são faces da mesma moeda que se chama ADORAÇÃO.
O "triálogo" tríplice entre o coraçao, a mente e a prática gera uma fé sadia e crescente que conduz ao conhecimento de Cristo. A exposição da vida cristã à razão, à emoção e à prática fará com que o cristão se apresente como um homem ou uma mulher amadurecidos diante do Senhor. Aqueles que são pastoreados, ensinados ou liderados devem ser conduzidos como um rebanho, mas que individualmente serão apresentados como "todo homem perfeito em Cristo"(Colossenses:1:28.
Que fazer? É um desafio.
Primeiro,aquele que prega precisa entender que é a Palavra de Deus deve ser pregada. Que sejam usados todos os recursos para COMUNICAR a palavra de Deus e não para entreter auditórios. O profeta, nos padrões biblicos, foi chamado para anunciar a palavra de Deus e não para conduzir as pessoas a se sentirem bem.

Segundo, aquele que "organiza" o culto deve definir e fazer conhecido as prioridades do culto. Se é o louvor, se é o testemunho, se é o show, se é a apresentação, se é a palavra. Mas também deve esperar os resultados das ênfases. Cada semente jogada na "terra do coração" humano vai produzir os frutos naturais dessas sementes.

Terceiro, aquele que ensina, siga a orientação do apóstolo Paulo na carta aos Romanos: que "haja dedicação". Não se desanime. Mesmo que sofra os julgamentos da falta de espiritualidade, de fé, etc (tenho vivido isso constantemente)continue avançar e exercer aquilo para o qual foi chamado.  Eu chorei...de indignação... Espero um dia sorrir de alegria.
Termino afirmando que creio numa igreja contextualizada. Que anuncie o evangelho todo ao homem todo e em todos os lugares. Não me apego às tradições humanas, mas existe uma bússola que nos conduz nas quebras de costumes, paradigmas e tradições - A PALAVRA de DEUS, a qual deve ser AMADA e ESTUDADA. Sem esta "dupla dinâmica" a vida cristã será o inferno aqui na terra.
Eu chorei...de indignação...

sábado, 18 de julho de 2009

GUERRA DOS SEXOS

    Já faz algumas décadas que as mulheres começaram a ganhar o seu espaço. Saíram do território ao qual estavam relegadas e iniciaram a sua caminhada de ocupar os lugares que até um tempo atrás estavam reservados aos homens. Espaços tais como: direito ao trabalho, à liberdade do sufrágio, chefia liderança política, cargos executivos como os de primeiro ministro, presidente da república, etc.

    Todavia, no meio denominacional batista, as mulheres ainda lutam para ocupar o seu espaço em nível de ministério pastoral. As mulheres batistas têm conduzidos associações, convenções estaduais e têm ocupado a presidência convencional e as diversas instâncias da liderança denominacional, mas ainda lutam pela sua aceitação em termos de reconhecimento do ministério pastoral feminino. Embora este já tenha sido reconhecido por quase uma centena de igrejas batistas que ordenaram suas pastoras entregando-as à denominação batista brasileira, as pastoras batistas almejam seu ingresso na Ordem dos Pastores Batistas do Brasil - OPBB, mesmo que, no ano de 2008, a OPBB já tenha negado o seu ingresso no dito grêmio. Mesmo com as portas (ainda) fechadas, elas continuam a sua luta de ingresso nesta ordem. Os argumentos bíblicos pró ou antipastoras são disponibilizados e discutidos por ambos os lados, mas o impasse é iminente. A pergunta que se levanta é: "É possível que dois grupos que estudam o mesmo texto sagrado mantenham posições diametralmente opostas?" Entende-se que tal divergência vai além de uma questão hermenêutica. É um problema histórico, ideológico-teológico que sobrepuja as regras de interpretação. A OPBB tem em sua formação, pressupostos e conceitos cristalizados, que sua liderança e membros almejam manter. Pode-se entender esta postura, mas ela também pode ser estudada e até questionada num contexto maior da interdisciplinaridade.

    Algumas questões podem ser levantadas para entender este impasse:

1. Entende-se que a ideologia tem como objetivo encobrir as divisões existentes. Essas divisões são maquiadas por aqueles que têm o poder de direção do grupo. O aparecimento do pastorado feminino tende a indicar uma certa insegurança que o chamado sexo forte parece apresentar diante do crescimento pastoral feminino. O espaço começa a diminuir e o poder pastoral masculino tem a sua contestação. Até agora a figura masculina e sacerdotal do pastor, que existia e ainda existe no imaginário dos membros das igrejas, sofre um desgaste de poder. O comando exercido pelos homens perde o seu espaço por um grupo social que sempre esteve à disposição do ministério pastoral e subordinado a este. Isso gera uma crise que deve ser entendida como a oportunidade de nova caminhada. Grande parte do meio batista ainda não consegue desassociar a figura de poder, de comando, da figura masculina. Ainda o mito do poder está na masculinidade. A conhecida objetividade masculina, ainda reina na concepção leiga que está relacionada ao comando ministerial pastoral. O sucesso eclesial das igrejas locais ainda está ligado ao sacerdócio veterotestamentário.

2. O "espírito histórico" precisa ser compreendido. É necessário manter a tradição e não o tradicionalismo. O espírito dos implantadores do protestantismo no Brasil trouxe uma mensagem de mudanças e não de mordaças. Os pioneiros batistas brasileiros participaram das mudanças estruturais do Brasil. Pode-se discordar de alguns posicionamentos teológicos destes pioneiros, mas não se pode negar o papel fundamental das mudanças no mundo social, religioso, político, cultural que a implantação protestante impôs. Eles ajudaram a mudar as estruturas políticas e sociais do país. Mesmo sabendo que o texto bíblico ensinava que "Toda autoridade é dada por Deus", entenderam     que havia a necessidade de mudança de autoridade. Eles entenderam que ser conservador não era conserva-dor. A libertação de preconceitos estruturais que afligiam a nação precisava acontecer. Era preciso trazer as mudanças que continham as marcas do Reino de Deus e traziam a graça divina a nação. Entendiam que Deus fazia chover sobre justos e injustos. A graça comum era para todos. Esta era a dinâmica da história. Trazer mudanças que beneficiem as pessoas. As estruturas estavam ao serviço do ser humano e não vice versa. Era o exemplo de Jesus.    Portanto, hoje, o mesmo espírito deve ser invocado quando pensamos no ministério pastoral feminino.

3.
Existe uma visão ministerial baseada numa compreensão mono cultural-religiosa da vida cristã. O mundo objetivo dos homens não permite a força da subjetividade feminina. Não se entende que o homem não possui subjetividade ou a mulher não tenha objetividade, mas hodiernamente, é reconhecido que a intuição feminina é uma marca peculiar das mulheres. Nas últimas décadas a intuição tem sido confirmada como fonte de conhecimento e ação.O monoculturalismo religioso que marca a teologia batista tem sido questionado nas últimas décadas. O clímax deste questionamento acontece atualmente com o surgimento do ministério pastoral feminino. Embora incipientemente, começou a ser entendido que a mulher também sabe liderar, fazer teologia e agora pastorear. A vida, a teologia, o poder, a autoridade precisam ser entendidos dentro da "cultura feminina" para que a compreensão do evangelho da graça de Deus e o entendimento da "imagem e semelhança de Deus" no ser humano estejam completos. Isso não é liberação feminina, mas expressão da graça. É o entendimento do complexo mundo do poder. Ele possui objetividade e subjetividade. Ele é feminino e masculino. O poder não é comandar, é influenciar.

4. O impedimento ao ministério feminino pastoral tem raízes históricas eclesiásticas. Os pioneiros batistas que chegaram ao Brasil traziam no seu bojo teológico eclesiológico as marcas do landmarkismo. Esta linha de pensamento reconhecia como pastores ou ministros da palavra somente aqueles que tinham sido batizados e ordenados por outros pastores batistas. Desta forma criava-se uma "sucessão pastoral" que preservava a "sã doutrina" dos batistas. No conceito doutrinário do movimento, igrejas que não possuíam esta marca "sucessória" não eram consideradas igrejas de Cristo e a linha sucessória pastoral é masculina. Outras denominações evangélicas já tinham nos seus quadros líderes do sexo feminino. Pregadores que não se enquadravam nesta marca não eram convidados a usar os púlpitos batistas ou participarem da Ceia do Senhor.

5. O quinto questionamento que deve ser levantado pode ser chamado de "crise sacramental". Deve-se perguntar: O pastorado é um sacramento? Diante do fato que a mulher pode exercitar todas as áreas dos ministérios eclesiais, por que ela não poderia ser ordenada ao ministério pastoral? Qual é o significado da "oração consagratória"; quando alguns "pastores homens" impõem as mãos sobre outro homem? Existe uma "transmissão de poder"? Estaria inserida nesta oração a idéia metafísica de que "algo acontece no céu"? Teologicamente, existiria o pensamento que existe é que coisas acontecem no chamado "mundo espiritual" que devem ser concretizadas na terra? Existem ainda outros pontos que podem ser levantados. No momento a denominação batista, com mais de um século no Brasil, deve despertar o pioneirismo dos seus missionários. Isso se faz analisando a história, o momento que se vive e acima de tudo, pelo fato de que o Espírito sopra onde quer, pois onde o Espírito do Senhor está, há liberdade.

    O fenômeno do ministério pastoral feminino precisa ser estudado com maior afinco e com os recursos das ciências bíblicas e antropossociais para fazermos uma leitura do mundo contemporâneo. Não é viável cristalizar doutrinas de homens, práticas tradicionalistas, que inviabilizam a pregação do evangelho. Não se trata de uma guerra dos sexos, mas de um dialogo cristão acima do poder e sem preconceitos tanto dos homens e das mulheres. "... à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" Genesis:1:27